"Nosso filho é ótimo. Você é que não está ensinando direito."
"Faço essa tarefa se eu quiser. É meu pai que está pagando".
Hoje, quando a escola deixou que pais que não educam tomasse conta dela mesma e dos professores, frases como essas se tornaram de todo momento. As frases foram tiradas da matéria "Quando ensinar é uma guerra", publicada na edição 2117 da Revista Veja. Elas foram ouvidas por uma professora de Biologia que acabou optando por trabalhar na educação infantil, ao invés de lidar com crianças e adolescentes do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Ela conta que com as crianças menores a chance do desaforo também será menor. Torço por ela.
A qualidade dos professores é o elemento mais importante da escola. Será?
Ouso discordar de Eric Hanushek, ainda que, de forma semelhante a ele, penso que professor demonstradamente ruim não deve permanecer na escola. Discordo de Hanushek sem ter dados de uma pesquisa própria sobre isso. Contudo, estou convencido de que o "feeling" após mais de 4 décadas de magistério e a experiência que acumulei com estudos e pesquisas em escolas, ainda que tratando de outras questões, me permitem uma sustentação para a discordância. Qualidade do professor é um elemento essencial para que se possa assegurar a própria qualidade da educação. Mas não é suficiente. Professor de qualidade sem infraestrutura adequada nada fará. Da mesma forma, não conseguirá avançar se alunos não se comprometerem, se os pais não colaborarem, se os gestores não forem excelentes. Temo que considerando a qualidade do professor como elemento mais importante, estejamos como que jogando sobre eles a maior responsabilidade pela qualidade do ensino, ou pela falta dela. Ainda que a responsabilidade dele seja mesmo muito grande. Sempre digo que o problema é que a educação é uma questão matricial, não dá para olhar apenas para um ou outro dos seus aspectos. Por conta exatamente desse aspecto matricial, seus males também não podem ser tratados por uma "acupuntura", "cutucando-se" apenas aqui ou ali. Discordando do professor da famosa Stanford , transcrevo a matéria de Talita Mochiute que está no Portal Aprendiz e que fala do Seminário Educação e Desenvolvimento, realizado, nesta última quarta-feira, em São Paulo e promovido pela Fundação Itaú Social, no qual o professor esteve presente. Que a matéria possa servir para a reflexão e a manifestação daqueles que vêm até este blog. Que possamos chegar ao bom debate.
A qualidade dos professores é o elemento mais importante da escola
“A qualidade dos professores é o elemento mais importante da escola”, afirmou o professor norte-americano da Universidade de Stanford, Eric Hanushek, doutorado pelo MIT. O pesquisador participou na última quarta-feira (24/6) do Seminário Educação e Desenvolvimento, realizado pela Fundação Itaú Social, na cidade de São Paulo (SP). Durante a palestra, Eric Hanushek enfatizou a importância de políticas voltadas para a melhoria do rendimento do professor em sala de aula. “O que aconteceria se pudéssemos eliminar os piores professores?”, polemizou. Analisando o contexto educacional norte-americano, relatou que, se isso fosse possível, os Estados Unidos poderiam chegar ao nível do Canadá no PISA (sistema de avaliação internacional que compara o desempenho educacional dos países). “Se conseguíssemos substituir os 10% piores pelos médios, poderíamos atingir o índice da Finlândia (primeira no ranking)”.
O professor acredita que a melhora da qualificação dos professores é a chave para a eficiência do sistema educacional. "Não importa o tempo que a criança fica na escola, mas sim a quantidade de conteúdo que ela aprende", disse. Além de ser o responsável pela aprendizagem do aluno, o bom professor, de acordo com Hanushek, é capaz de diminuir as defasagens existentes entre uma criança de família rica e outra de família pobre. Segundo o professor, o que determina o bom rendimento do professor em sala de aula não é seu nível de escolaridade, nem o tempo de experiência, nem seu salário. "Não há uma relação direta entre esses fatores e os desempenhos do professor e do aluno. Então, como melhorar a eficiência dos professores?”, questionou. Para Hanushek, como é difícil, por questões corporativistas, demitir os professores
ruins, deve-se fazer programas agressivos de reconhecimento por mérito. “Os pagamentos devem estar atrelados ao rendimento do aluno”. Essa medida serviria para manter os bons profissionais em sala de aula e incentivar um maior comprometimento do corpo docente. O professor defende ainda processos rigorosos de seleção e um novo desenho para os programas de treinamento.
O economista e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Ricardo Paes de Barros, presente no seminário, também defendeu a política de bonificação para professores. “Há heterogeneidade no desempenho. Por que não premiar os melhores? Os professores têm salários socialistas. Por que sub-valorizar os melhores? E sobrevalorizar os piores?”, provocou. Sobre essa questão, a professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-secretária de Educação do Estado de São Paulo, Maria Helena Guimarães, comentou que o judiciário é bastante refratário a mudanças na isonomia (equiparação) salarial. “As carreiras são dominadas por sindicatos que cobram os direitos, mas não o da qualidade”. Defendeu ainda a extinção das carreiras atuais, herdados de “legislações antigas e corporativistas”. “O diagnóstico é muito fácil de ser feito. O problema é como mudar a situação atual face às restrições de legislação. Como promover a diferenciação salarial e a gestão dos gastos de maneira inteligente?”, questionou o economista Naércio de Menezes Filho.
Educação e Desenvolvimento Econômico - De acordo com Menezes Filho, o investimento em educação é a maneira mais correta de melhorar os indicadores sociais e econômicos. Para os especialistas presentes no debate, o desenvolvimento econômico possui relação direta com a capacidade de formação de capital humano de um país. Essa capacidade só se alcança com a educação de qualidade. “Se o governo der início hoje a uma política pública de melhoria da qualidade da educação, os impactos serão sentidos em poucos anos, quando os estudantes se transformarem em mão-de-obra ativa”, acrescentou Hanushek. Para exemplificar esse impacto, o professor fez algumas projeções. “Se o investimento tivesse sido feito em 2005, o PIB do país estaria 10% mais alto que o atual em 2025. Isso significa que os ganhos do Produto Interno Bruto (PIB) compensariam todos os gastos com o ensino público”.
O professor lembrou que a eficiência dos sistemas educacionais não está estritamente relacionada ao gasto no setor. “As experiências mostram que não é suficiente só aplicação de recursos financeiros. É preciso ver o que ocorre dentro da sala de aula”. Maria Helena ponderou essa afirmação: “O gasto não resolve, mas no Brasil ainda está muito aquém. O valor per capita é R$ 1.400 por aluno/ano na educação básica”. Outro desafio para o sistema brasileiro, de acordo com Menezes Filho, é reduzir os índices de evasão escolar. “Apesar da ênfase na qualidade, temos ainda um problema de acesso, principalmente no Ensino Médio. As pesquisas indicam que há 50% sem acesso, mas as matrículas estagnaram nos últimos anos”. O professor da USP destacou ainda que o fraco desempenho da elite brasileira no PISA. “Os 5% melhores estudantes da Finlândia estão num patamar bem superior aos 5% do Brasil. Isso mostra que há algo de errado com todo o sistema de ensino”.
Os links não constavam da matéria conforme publicada.
Era então o agora já longuínquo 22 de junho de 2004. Destinado a ser utilizado por meus alunos no PREPES, da PUC Minas, nascia um blog. A proposta era que o blog se constituisse em um espaço para que alunos da disciplina 'Tecnologias Digitais e Educação", do Curso de Coordenação e Supervisão do 37o. PREPES, pudessem testar eventuais potencialidades desse recurso na educação. Até naquele momento blog era coisa pouco explorada. Mas este blog acabou não sendo usado pelos alunos. Devo ter falhado no convencimento daqueles jovens, como assumi em um post em 16/7/2004. O blog parecia ser um natimorto. Mas decidi não deixar que o blog morresse. Agora, mais de cinco anos se passaram. Envelheci, mudei convencimentos sobre muitas coisas, inclusive sobre o uso educacional das tecnologias digitais da informação em comunicação, aprendi muitas coisas, desaprendi algumas. Foram mudanças, em mim, no mundo e nas tecnologias. E apesar de tudo, o blog se manteve. Ou talvez se mantivesse por tudo isso. Foi para o Portal do Professor, virou objeto de estudo em monografias e até em dissertação de mestrado [ainda em andamento e não de orientando meu]. Parece, enfim, que valeu a pena não ter deixado que o blog morresse. Pelo menos eu estou absolutamente convencido disso.
Quando os vírus não são conteúdo de aprendizagem, mas estão nas escolas
Vírus e bactérias não discriminam ninguém, não são preconceituosos. "Democráticos", principalmente o influenza que provoca a gripe, infectam pobres e ricos. Mas é interessante ver as notícias sobre as escolas da Educação Básica que suspendem aulas ou antecipam férias por causa de alunos comprovadamente com a que foi chamada de gripe suína. São todas da rede particular. Não sei de qualquer escola das redes públicas que tenha interrompido atividades por conta disso. É a tal coisa; são os alunos da rede particular que podem viajar para Buenos Aires nos finais de semana e feriados. E de lá, nos trazem o vírus influenza A(H1N1), o personagem da mais nova pandemia que nos acomete.
Uma produção multimídia, criada no Animoto, sugere o que devem fazer os professores, usando também as tecnologias digitais e a Web 2.0, para mudar a educação no século XXI.
Diana Toledo, um das autoras do recente estudo sobre docência e aprendizagem, levado a cabo pela OECD em 23 países, entre os quais o Brasil, fala sobre a pesquisa. Ela dá uma ênfase nos resultados dos dados coletados junto a professores e diretores de escolas espanholas.
Veja e ouça a entrevista - em inglês - de Michael Davidson, coordenador da pesquisa.
Pesquisa internacional sobre ensino e aprendizagem
Há poucos dias, mais exatamente em 17/6, transcrevi neste blog matéria do jornal Folha de S. Paulo na qual se comentavam aspectos de uma pesquisa que mostrou que a Terra Brasilis é aquela onde os professores gastam u'a maior fatia do tempo das suas aulas "dando bronca", tentando manter a disciplina. E quando falo de disciplina em sala de aula, me refiro à necessidade de que todos, ali, façam a sua parte, dêem sua parcela de ajuda para que se crie um ambiente efetivamente adequado para a aprendizagem. Claro, que isso não significa necessariamente colocar alunos quietos e silentes por 50 minutos ouvindo velhas ladainhas. Os dados utilizados naquela matéria foram obtidos junto à OECD, que criou TALIS - Teaching and Learning International Survey. O TALIS, que se insere no Projeto Indicators of Education Systems [INES] da OECD, é um estudo - realizado em uma perspectiva comparativa - das condições de ensino e de aprendizagem na Educação Básica de 23 países, dentre eles o Brasil. Dados foram coletados durante 2007 e 2008. O TALIS buscou examinar alguns aspectos importantes do desenvolvimento profissional, tais como as crenças dos professores, suas atitudes e práticas, a avaliação do professor e feedback e a liderança na escola. A pesquisa foi buscar o olhar sobre tais questões junto a 70 mil professores e diretores. O relatório da pesquisa, "Creating Effective Teaching and Learning Environments: First Results from TALIS", recentemente divulgado, contém 307 páginas em inglês e está disponível para download gratuito. Uma visão geral apenas do Brasil, apenas 2 páginas em inglês, está disponível. Para quem quiser, um sumário de toda a pesquisa, em língua portuguesa, contendo 9 páginas, pode ser baixado também sem custos.
Acabo de descobrir mais um provedor on-line de surveys. É o LimeService. De graça, é possível colecionar, mensalmente, as respostas de 25 pessoas. sem que haja restrição ao número de questões em cada survey. Nesse caso, o LimeService traz uma vantagem em relação, por exemplo, ao Zoomerang, que limita a 30 questões cada questionário. Contudo, no Zoomerang é possível receber, sem ter que pagar qualquer valor por isso, respostas de até 100 pessoas em um mesmo survey. E é possível oferecer várias enquetes ao mesmo tempo. Contudo, no LimService se o número de respondentes no mês for inferior a 25, o saldo ficará guardado para o mês seguinte. Se o usuário prevê mais de 25 respondentes pior mês, terá que comprar um pacote adicional de respostas.
O nome do Twitter, o microblog que está na crista da onda, passou a ser usado para envio de falsos convites para adesão à rede social, informa a Symantec. A aparência das mensagens sugere que tenham sido enviadas de fato a partir de uma conta do próprio miniblog. A falsa mensagem é enviada do endereço invitations@twitter.com e seu assunto é “Seu amigo te convidou para o Twitter”. No anexo à mensagem vem um arquivo compactado [zip] que, supostamente, conteria detalhes sobre o convite. O arquivo zip provoca a instalação de um "verme digital" que coleta endereços de correio eletrônico no computador do destinatário da mensagem. Depois, passa a enviar mensagem infectada para outras pessoas, em um ataque baseado na distribuição em massa de e-mail. Esse malware é um pouquinho mais malvado; ele se autocopia em pendrives, HD externos e discos de rede. Portanto, toda a atenção é pouca, notadamente com os anexos das mensagens. Esse alerta continua atual como sempre.
O Second Life subiu no telhado. E não será uma morte virtual.
Quando o Second Life foi lançado nos Estados Unidos, tratei de me inscrever e criar meu avatar, apesar de não ter gostado de qualquer opção de nomes. Queria "fuçar" para ver possibilidades de incorporar esse mundo virtual nas tarefas de ensino e aprendizagem. Acabei não vendo vantagem alguma, confesso. E, como sempre falo, se mal tenho tempo para a minha "first life", não teria qualquer para a "second", ainda que lá pudesse voar. Aliás, se eu pudesse voar na "first life", sem ter que enfrentar o "intrânsito" ou o "não trânsito" que hoje passou a ser marca da minha cidade, talvez sobrasse tempo para o Second Life. Muita gente achou aplicações para o Second Life, inclusive na educação. Não tive essa competência, assumo. Quando o Second Life chegou ao Brasil, há uns dois anos, provocando um certo frenesi, me permiti nova oportunidade para achar o que antes tinha procurado e não encontrado. Novo desapontamento, confesso. Agora fico sabendo que o Second Life Brasil está para fechar as portas. Ele morre sem sequer ter chegado ao seu auge aqui nas terras tupiniquins. Saiba mais ...
Privilegiar a competência, fortalecer as estruturas que têm responsabilidade decisória nas IES e aumentar a articulação dessas instituições com o sistema federal de ciência e tecnologia são as estratégias para que o ensino superior brasileiro se desenvolva com alto padrão de excelência. Essas são algumas conclusões dos debates no 15º Fórum Nacional-Consecti e Fórum Nacional-Confap, realizado em São Paulo, em 19 de junho, última sexta-feira. Saiba mais ...