Para quem não domina a língua de Shakespeare, é possível ver a legenda em português. Basta clicar em View Subtitles e escolher a opção Português (Brazil)
Para professores verem, lerem e pensarem. Se pensarem, teremos alguma chance que na semana que vem decidam fazer algo diferente quando chegarem na escola. Se fizerem algo diferente amanhã, estaremos começando a mudar a escola. Escola que precisa mudar, porque o mundo mudou. E com ele mudaram as crianças e os jovens. Será cada vez mais difícil manter jovens digitais em escolas analógicas. Isso não tem lógica.
Que tal pedir aos alunos que criem avatares, só que semelhantes a personagens de mangás, para que identifiquem seus trabalhos? Pode ser uma boa idéia, não? Afinal, juntam-se ao menos duas coisas que muitas crianças e jovens gostam: computador e mangá. E dá para fazer isso de graça, no site Faceyourmanga.
"Hoje, dia 19 de março de 2009, vou mais um dia para a escola, desanimada e certa de que as aulas que preparei para os alunos do 3º ciclo, 1º turno, não serão dadas. Mas busco entusiasmo não sei onde, entro para a sala de aula (sala 10, 6ª série) e inicio repetindo o que tenho falado com os alunos desde o primeiro dia de aula: coloquem o caderno, a agenda, o lápis, caneta, borracha, régua, tesoura sobre a mesa e guardem a mochila debaixo da carteira ou dependurada no encosto da cadeira (muitos se deitam, durante a aula, na mochila para dormir ou se escondem atrás dela para dar gritos ensurdecedores sem motivo algum ou para atirar bolinhas de papel enfiadas no corpo das canetas esferográficas).”
“Essa atividade demanda mais ou menos uns 20 min, pois metade da sala não ouve, ou finge que não ouve, continua a correr pela sala, está virada para trás conversando, está subindo nas bancadas sobre as janelas e de lá pulando de cadeira em cadeira e outros tantos estão a olhar no vazio, sem nada fazer.”
“Pergunto por que estão sem a agenda e sem as folhas, várias respostas: esqueci, meu irmão rasgou, fiz bolinha de papel, fulano (referindo-se a um colega de sala, ou mesmo de outras salas que durante os intervalos invadem como loucos as salas vizinhas, batem, jogam mochilas pelas janelas, rasgam material, andam sobre as carteiras) pegou rasgou ou fez bolinha de papel, rasguei porque achei que não iria precisar. (ah, seria tão fácil se você os colocasse então em duplas para fazerem a atividade, penso eu). Ah! sim, seria e a responsabilidade e o compromisso ficariam para ser construídos não se sabe quando. “
“Agora aula na sala 09, também 6ª série. Quando chego à porta da sala tenho vontade de sumir, há pelo menos uns dez alunos de pé sobre a bancada debaixo da janela. (...) A garota - infelizmente ainda não sei todos os nomes - que se assenta na última carteira da 2ª fila, perto da janela, pula da bancada para o tampo de uma carteira e depois para o tampo da sua, desce para a cadeira, pula no chão e corre, gritando pela sala atrás de um garoto. Passam na minha frente como se lá eu não estivesse e voltam. Paro na frente de todos e fico olhando, tenho a impressão de que estou numa rebelião. Penso: o que fazer?”
“Bolinhas de papel atiradas com o corpo das canetas, voam em todas as direções. Isso é o que mais me chama a atenção, mas garotos e garotas de pé, correndo, gritando tem aos montes.”
“Volto, não chego a parar um minuto na frente da sala e caio. Caio sem saber como nem porque. Ouço apenas um silêncio e: - a professora caiu!!!! Levanto-me de um só pulo, com algumas dores. Continuo o sermão dizendo que caí certamente porque perdi o equilíbrio em função do comportamento deles. Disse ainda que pareciam animais e que eu acreditava que estava dando aula para garotos e garotas. Enfim, babei de falar e tentei explicar o que faríamos naquela aula.”
“Enquanto aguardava que todos acabassem, foram quatro alunos à porta dizer que a coordenadora, Lorena, mandou falar para eu ir para a outra sala que o sinal já tinha batido. Eu dizia: - diga a ela que assim que os alunos acabarem eu vou. Devo ter ficado nessa sala por uns 15 ou 20 min, após o sinal, para que desse o visto em todos os cadernos.”
“Logo que iniciei as aulas perguntei à coordenadora qual era o diagnóstico desses alunos, ela me disse que não sabia e que iria procurar saber. Já são alunos da escola, pelo menos desde o ano passado, e estão na 8ª série. Sempre que lhes peço algo, a turma responde: 'ô professora eles num faz nada não, tem problema de cabeça'.”
Twitter in the classroom? Twitter na sala de aula?
Outro vídeo interessante sobre o Twitter em sala de aula. Este é o que provocou a resposta, em vídeo, que coloquei em outro post. De novo, o problema para que não sabe inglês. Sorry.
Prometo que um dia quando tiver nada tiver para fazer, me ocuparei legendando este vídeo. Até lá, ele de nada servirá para os habitantes da Terra Brasilis que não entendem a língua de Shakespeare. Este vídeo é uma resposta para outro, chamado "Twitter in the classroom" [postarei este vídeo em seguida, hoje ainda]. No vídeo abaixo está uma experiência de uso do Twitter na qual Monica A. Rankin, professora de História na Escola de Artes e Humanidades da Universidade do Texas em Dallas, envolveu seus alunos. As conclusões do experimento também estão online. They were written in english, for sure.
tossURL é outro site para encurtar URL. Ele é semelhante ao TinyURL, que uso com alguma freqüência quando preciso enviar alguns endereços "enooooooormes" para os amigos. Mas recomendo a todos muito cuidado quando receberem esses endereços encurtados. Tem muita malandragem [vírus, malware etc] atrás de uma algumas dessas URL curtas.
A carta de Paulo Roberto Girão Lessa, de Fortaleza, Ceará, publicada neste domingo no Painel do Leitor do jornal Folha de S. Paulo e transcrita abaixo, revela faces cruéis de uma educação indigente. Uma é a constatação de que o FUNDEB pode acabar virando coisa contra os professores, ainda que seja apenas em alguns rincões da Terra Brasilis. Pelo visto, ser dignamente remunerado não é destino de muitos deles. Os prefeitos, quando contratam bolsistas e estagiários para fugir ao pagamento do quase miserável piso salarial dos professores, repetem uma artimanha que encontro na EaD. Em cursos a distância, não raro se contratam tutores para fazer o papel de professores, pelo que recebem salário de monitores. O outro lado triste é ver onde é capaz de chegar a canalhice nesse país. Pessos eleitas para zelar pela educação mostram que ela nada vale. Tinha absoluta razão Eça de Queiroz quando afirmou que os politicos e as fraldas devem ser mudados frequentemente pelas mesmas razões.
Estou no interior do Ceará, onde visitei um grupo escolar com quatro salas de aula e cerca de 80 a 100 alunos. Com tantos políticos prometendo um piso salarial mínimo para os professores, pensei que tudo estava bem, mas, na verdade, a maioria dos professores são bolsistas que recebem bem menos que o piso salarial. Existem alunos que na quinta série do antigo primário ainda não sabem ler. A verdade é que os senhores prefeitos estão admitindo bolsistas e estagiários no lugar de professores qualificados e experientes. A qualidade da educação diminui, e o piso salarial está sendo razão para os professores formados serem afastados de suas funções. Denúncia como esta tem o objetivo de questionar os cidadãos sobre a qualidade que está sendo oferecida e sobre a educação que queremos para os nossos filhos. Ou fiscalizamos os nossos municípios, ou teremos em alguns anos situações irreparáveis na educação."
Circular pela internet pode ser tão perigoso quanto passear à noite por certas quebradas do Rio ou de São Paulo. As chances de assalto, estupro, sequestro, contaminação por vírus e até morte são parecidas. E todas essas modalidades de desespero estão ao alcance de um clique. Uma armadilha recente é a mensagem, em nome de alguma instituição, oferecendo "patrocínio para o seu projeto". Como no Brasil, hoje, todo mundo tem um "projeto" encalhado, as chances de um otário pagar para ver são inúmeras. E, com isso, é mais um computador infeccionado na praça. "Seu depósito já está feito - clique abaixo para conferir", informa um anônimo "diretor de contabilidade" de uma empresa idem. Alguém resiste à ideia de um insuspeitado dinheiro entrando na conta, mesmo que você nem trabalhe com aquele banco? Ou "Sua passagem foi emitida - confirme seus dados", numa tela com o timbre oficial de uma conhecida empresa de aviação. Ou "Atualizamos seu cadastro na Caixa Econômica", com as armas e os brasões da própria - quem vai duvidar? "Olhe nós dois naquela noite...", promete alguém, mandando fotos. Na nossa cabeça, há sempre a memória de uma longa noite de loucuras que, na verdade, não aconteceu, mas quem sabe?... Já um trote cruel é "Não tive coragem de te falar, mas veja as fotos". Você está sendo alertado para alguma infidelidade do seu cônjuge. E, mesmo que seja solteiro, viúvo ou sem namorada, sua curiosidade pode ser letal. Morder a isca em qualquer dessas situações significa ter o seu HD estuprado, seus dados bancários roubados, o cartão de crédito exposto e até um importante arquivo sequestrado, pelo qual você terá de pagar resgate. Enfim, tudo para lhe estragar a vida. Sair pela noite é mais seguro. Mais divertido também.
Artigo de Ruy Castro publicado hoje no jornal Folha de S. Paulo. O artigo acaba me lembrando quer viver sempre é perigoso. E penso no desafio que pais e professores têm nesse mundo, preparando filhos e alunos para viverem nesse mundo de perigo, seja ele virtual ou não.